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Minha mãe é uma vagabunda, mas eu sou inteligente

 Sexta-feira, 18/12/2020, tenho uma apresentação mais tarde no Youtube, vai ser ótimo. Madruguei essa noite com o  finalizando o vídeo e às 20h será a transmissão. Acordei um pouco tarde por conta disso, às 9h30, tive aula às 8h. Ok, pensei. É tranquilo. Peguei meu celular, respondi algumas mensagens, escovei os dentes, passei creme na pele e sentei ao computador para estudar gramática (já estou chegando ao final do curso) quando minha mãe chega falando que a Larissa (uma pessoa que tenho imensa admiração, inclusive ainda sou apaixonado por ela) comprou um carro. Eu falei: "poderosa!", e minha mãe: 'poderosíssima!!!". Até aí tudo bem, nada demais. O problema veio quando ela começou a ser passiva agressiva, sem direcionar a palavra pra mim ela disse ao Luiz: "é, ela é mulher, tem 20 anos e está correndo atrás das coisas". Logo após outro comentário: "mas aquele marido dela não ajuda, só quer saber de estudar, já, já ela larga dele". Isso me atingiu, primeiro porque eu também não trabalho, mas pra não ficar parado eu estudo (e muitoooo), segundo que há uma desvalorização e um ataque implícito a mim. Ela já disse antes que eu deveria ter posses, como carro, casa, dinheiro e tudo o mais. Porém, nada é bom o suficiente para minha mãe, nada! 

Fico triste, sabe... A mãe do Matheus elogiou tanto ele, foi tanta validação eu queria sentir o gosto disso também (verdadeiramente), sem precisar provar nada para ninguém, provar que sou capaz, queria sentir o amor incondicional. Acontece que hoje os pais estão mais rígidos, mas são hipócritas, por que eles não vão atrás do próprio dinheiro? É fácil jogar toda responsabilidade em cima dos filhos, enquanto eles mesmos não são exemplos de nada. 

Penso que, talvez, por hoje ser um dia especial (sexta, apresentação e afins) eu deveria estar feliz, mas não, estou preocupado se minha mãe vai ficar bêbada na hora da minha apresentação, agora mesmo, às 12h11, ela já está escutando música. Isso porque eu estava estudando gramática, aí ouvi ataques indiretos e me desmotivou, por isso eu sou tão triste? As pessoas dos outros módulos devem estar felizes, ou ansiosas pelo próprio desempenho, quando eu sinto que deveria estar fazendo outra coisa, ganhando dinheiro, comprando carro, por exemplo. Mas não acho que as coisas funcionam assim, não mesmo. Cada pessoa tem seu tempo, cada uma. E, eu juro, se eu tivesse dinheiro agora, pelo menos uns 50 mil reais, eu não compraria carro. Isso traz gastos e eu quero focar em outras coisas. 

Observo que eu gosto de estudar e quero ser o melhor naquilo que faço, mas é difícil com a mãe que tenho, nunca alguém quis me destruir tanto, até para passar creme no rosto tem que ser escondido. Fora que nada será suficiente para ela, logo ela vai cobrar relacionamento hétero, ou mandar áudio de madrugada me xingando por ser gay, assim como fez com meu tio, Otaciano. 

Vejo que tenho que sair de casa urgentemente, toda vez eu digo isso, mas é porque é verdade. Talvez se eu fosse validado, ouvisse um: "meu filho faz muita coisa, vocês tão por fora, ele estuda muito, faz teatro, faz Cil, está na UnB e se dedica muito" seria tão bom! Mas sei que jamais vou escutar isso, ou quando acontecer é porque teve validação externa, amigos dela comentando, ou mesmo a mídia. O louco é que minha mãe é pior que os haters, se sair alguma notícia ruim sobre mim, tipo que eu falei mal de alguém, ou qualquer coisa do tipo, minha mãe vai vir com tudo em cima de mim. Se na rua quando o povo fala de mim, segundo as vozes na cabeça dela, eu já sou atacado. Ela grita comigo: "Todo mundo tá falando de você, quem sofre é eu que tenho que escutar isso, mas eu não tenho culpa! Tenho que ouvir por algo que não fiz". Dói, dói muito saber que tenho uma vagabunda como mãe, Deus sabe que eu tento perdoá-la todos os dias, mas não é uma tarefa simples quando há esses conflitos periódicos. 


De qualquer forma eu sou grato pela vida, vou passar em um concurso público, sair de casa, dedica-me em ganhar o máximo de dinheiro possível e seguir meu sonho, ser artista. Talvez eu jamais seja tão talentoso, mas vou me esforçar até o último dia da minha vida pra isso. 

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1 comentários:

  1. É babado, né, eu sei. O bom de ler isso, um ano depois, é ver o material que estou construindo, sabendo que não sou eu o problema. Sei como é Marcelo, sei como é. Sinto sua dor e sei que é verídica. Vamos enfrentar isso de uma maneira mais leve, que tal? Já passamos por muita coisas e vimos que a dor não é a melhor solução.

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