Ainda sobre o meu irmão Rafael:
Estou me sentindo pesado a semana toda, hoje é quarta-feira e no último sábado minha mãe resolveu me atacar. Como sempre, ela me insultou de vagabundo, que não faço nada , que não presto e não sei mais o que. Foi horrível receber um ataque tão direto, mas foi pior ainda foi ver que meu irmão precisava de mim. E, ainda: os limites da segregação.
Estou lutando tanto para conseguir me instruir, é difícil fazer tudo sozinho, por isso tenho empatia pelo meu irmão. Mas vejo que minha mãe nem tenta, ela se esconde atrás de um muro do "eu não consigo" e terceiriza a culpa. De fato, ela não é mestre em tecnologia, mas sei que pintar, desenhar e confeccionar jogos não exige muita habilidade tecnológica. Vi também que ela não participou de várias reuniões, por isso a professora fica estressada e eu não entendo o porquê da responsabilidade ser minha. Pelo menos não deveria ser. O irônico é que na hora do sufoco sou eu quem ajuda, mas depois sou escrachado gratuitamente.
Fazer terapia está me ajudando muito, nunca alguém acreditou em mim, sempre que eu falava as pessoas ficavam com desdém, achavam que eu estava mentindo. E depois de muito tempo eu só desisti, foi mais fácil, bem mais fácil. É tão bom ser validado, receber amor, carinho, afeto, atenção. Quero nutrir esses sentimentos dentro de mim.
Estou em processo de cura, a psicóloga quer que eu construa a minha personalidade, ou que eu descubra quem eu sou. É uma loucura, uma loucura total. Quero me distanciar da minha mãe e viver o que eu sempre quis. Estou batalhando pelos meus sonhos, de verdade. Porém, sinto-me tão vulnerável pela culpa. No caso do meu irmão: quem iria ajudá-lo? e, eu devo largar tudo que eu tenho que fazer pra isso? E, eu estou errado por me priorizar?
Quando eu fico nesses pensamentos improdutivos eu nem estudo e nem ajudo, sinto meu peito afundar e uma enorme agonia. Dormir é a única coisa capaz de me aliviar e quando acordo sinto que não deveria.
Sei que alguns resquícios estão surgindo, afeto e tal. Estou mais solto, mais desinibido. Estou confiando mais em mim também. Porém, eu preciso soltar todo peso que não é meu! Eu preciso. Não posso e não devo carregar o que é dos outros. Eu quero tanto ser feliz, mais tanto. Quero tanto dar ao mundo (e pra mim mesmo) aquilo que eu não tive.
Eu sou uma pessoa boa, se era isso que eu queria ouvir, eu sou tão merecedor de todas as coisas boas que existem no universo, real. Eu estou conquistando coisas incríveis, eu sou incrível. Sei que sou merecedor.
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