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Um dia antes da entrega do artigo - surto e problemas psicológicos

 Amanhã, 15/12, tenho que entregar meu artigo de pibic, que eles chamam de relatório final. Não sei se será publicado, vou perguntar para outra pessoa amanhã, talvez a Agatha. Escrevo isto na biblioteca pública de Ceilândia, é o lugar que me aceitou, mesmo quando em outros lugares tenho problema. 

Hoje está sendo um dia estranho para mim, eu queria e não queria ir para o espanhol, no final foi bom não ter ido. Mas o que estragou meu dia foi o meu cunhado ter chegado na casa da mãe. Não tenho nada contra a ele, mas hoje percebi o quanto minha sogra é hipócrita. Com meu namorado ela monta em cima, exige e fica falando coisa, mas com o drogado ela simplesmente abaixa a cabeça e deixa ele fazer o que quiser. Assim que ele chegou ela desceu, depois ele tirou a camiseta (desrespeitando a todos) e foi comer. Num momento, começou a falar de drogas e afins, ela ficou murchinha. Foi aí que percebi a hipocrisia. Resolvi vim para biblioteca, porque pelo menos aqui não tem gente folgada. A questão é que esse é o segundo vizinho que implica com o estilo de vida do meu cunhado, que leva todos para casa e vira uma bagunça. Mas ela, em vez de ouvir com atenção e buscar ser assertiva, acaba ficando com raiva dos vizinhos. É como alguém que fica com raiva da pessoa que dá a notícia de traição e não de quem está traindo. Enfim.

Depois, pedi para o meu namorado pegar meu tênis, eu simplesmente estava enojado para entrar na cozinha e ver ela puxando assunto comigo. Nojo. Ah, antes disso minha sogra foi falar com meu namorado para pagar a conte, ela depositaria o dinheiro, para o meu cunhado. E ele com as mãos atadas terá de fazer. Tudo isso estava me deixando nervoso, porque queria alguém que se posicionasse mais. Enfim. Mas antes de ir pegar meu tênis meu namorado disse algo que me deixou com raiva "vai lá, parece que tem medo de gente". Quando ele disse isso eu só saí, mas ele agiu tão rápido que deu tempo de pegar o tênis, mas eu não queria mais. Ele colocou mesa, mas eu não quis. Aí ele disse "como você vai para academia", e eu simplesmente saí. Aquilo despertou uma fúria em mim, porque não estava com medo de gente, mas sim enojado e me segurando para não falar algumas verdades, meu nojo pela minha sogra cresceu, a hipocrisia é demais. Vejo meu namorado se dividir em mil partes para dar conta de tudo, mas isso não seria necessário se minha sogra fizesse o trabalho dela. 

No caminho até a biblioteca vim pensando nisso, no papel invertido das coisas. Sei que a única pessoa que não tem culpa nessa história é ele, e mesmo assim eu acabei descontando. Meu cunhado faz as burradas, minha sogra não assume o papel de mãe e ele quem leva a culpa? Não é justo. Mas eu tô fazendo algo por mim mesmo, me defendendo. Já percebi que aquela família tem uma estrutura muito tóxica, todos os papéis são invertidos. D.S não assume seu papel de mãe, como disse mil vezes, aí ela fica submissa com D., que apronta fazendo coisas de um adolescente de 12 anos. O R. por estar no meio disso, como instinto de autodefesa acaba resolvendo o problema de todo mundo, mas para não magoar a mãe acaba sendo submisso, ainda que contra a própria vontade, ao irmão. Se eu entrar nessa pirâmide maluca ficarei lá embaixo, no qual terei de respeitar as crenças do R., que é ser submisso a mãe e consequentemente ao meu cunhado. Eu não admito isso e falo com embasamento. 

Digo isso porque em um momento da nossa relação ele me abandonou, simples assim, me deixou. Tudo que ele queria saber era da mãe. Era isso e aquilo, e eu suportando tudo. Sempre achei a situação abusiva, mas relevava pela circunstância, afinal ela perdeu o marido. Mas tudo ficou evidente para mim depois, quando fui agressivo com a mãe dele sem noção que ouvia áudio alto enquanto eu assistia TV. Em vez dele conversar com a mãe e dizer "olhar, mãe, vou te dar um fone de ouvido", ele ficou com raiva de mim por duas semanas. Foi um tempo horrível, ele nem olhava na minha cara direito. Foi quando comecei a fazer caminhada e ver meu lado na história. 

Apesar de fazer uns 4 meses essa história ela de fato existiu. E mostra a triangulação. É um problema familiar dele e só ele pode resolver. Não vou mais ser agressivo como fui, até porque ele não merece nenhuma ignorância ou violência, mas não vou entrar nessa ordem de submissão doida deles não. O melhor que posso fazer hoje é me afastar quando meu cunhado chegar. É me afastar aos poucos da minha sogra, até porque de gente hipócrita eu tô cheio, 

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