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A MORTE DO GATO

Enquanto estava varrendo a casa vi o gatinho morrer, ele estava duro no chão e estranhei ele não se mexer quando me aproximei, fiquei assustado e chamei a Cleonice, ela disse que ele não tinha mais jeito Eu não acreditei, levei água e achei que isso fosse o suficiente para salva-lo, todo animal que tem aqui em casa acaba morrendo igual ao Sapeca, o o outro cachorro que teve barriga D´água. Desta vez eu olhei bem no fundo do olho do gato, e a pupila dilatava e diminuía.Me identifiquei com o gato, ele estava no chão após um chute muito forte do meu padrasto e ele mal conseguia se mexer, em momento algum ele fechou os olhos, é claro, a qualquer momento ele poderia levar outra pancada. Eu não consigo explicar com exatidão o que vivi, é como se as palavras não pudessem traduzir o meu sentimento, mas me identifiquei muito e acredito que as mães dos gatos são narcisistas por natureza, ela não se importou muito com o seu filho que estava morrendo, ela apenas lambeu ele para higienizar e depois seguiu seu rumo. Por isso os gatos aprendem a ser independentes. Eu oscilo muito entre querer morrer e querer viver, digo que eu sou um poço de más crenças, vejo que o mundo é competitivo e que estou pra trás com algumas coisas e não consigo superar, que ironia, o garoto que queria ser perfeito era o que mais errava (e o mais confuso). 
Estava tudo bem comigo, até eu saudar o meu dinheiro, mas acho que outra coisa ativou essa tristeza em mim, na real ela está o tempo todo. Sinto-me incompetente e isso machuca. Jesus, um garoto não pode dar o melhor de si? Como viver se o tempo todo estou lembrando de dor, tristeza, melancolia, depressão. Esses dias estava conversando com a Mayara, minha antiga amiga de infância, e logo depois o Rámon, o único amigo hétero que tenho, comentou num post meu, e logo eu vi que tudo seria possível, não tem problema eu assumir pra eles que sou gay, já que até a minha mãe sabe, mas depois lembro que outros fatores me impede de seguir em frente. Estou em guerra comigo mesmo o tempo todo. Será se eu realmente sou um merda? Será se de fato todo mundo é melhor que eu? Poxa... por que tanta comparação? Jesus, um garoto não pode viver em paz? Logo as pessoas começam a me cobrar como adulto, e sinceramente eu não sei o que fazer, todos me tratam como se eu soubesse de algo, mas ninguém vê que estou completamente quebrado por dentro, devastado, e ninguém me ajuda. No teatro sinto que só sou útil quando me desafio mesmo, e isso não é tão cool. Ok, definitivamente escrever faz bem pra mim, mas eu quero encontrar o meu EU verdadeiro, quero me desprender das opiniões, tô cansado de viver para agradar aos outros. Se eu estudar muito serei perfeito, será? Tanta oficina de gramática e não sei de nada, poxa... 


* Estou procurando músicas brasileiras, talvez a minha falta de boa gramática se dá devido ao meu ouvido, como não gosto de forró e não ouço músicas nacionais talvez isso tenha prejudicado a minha fonologia. Amém. 

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