Eu acho que não há lugar no mundo em que em me sinta bem, pelo menos não 100% seguro. Estou na casa do Rafa, queria cantar, dançar e me expressar, mas chegou o Diego com um amigo dele. Fico com raiva, não me sinto seguro e sei que ele está no direito dele. Só não entendo como uns podem ter tanto e outros pouco, e essas pessoas que possuem privilégios não valorizam o que tem. Isso me dá raiva, me traz medo, insegurança, incompreensão. Questiono tudo, duvido de todos. A má energia em mim me traz mau-estar, quero morrer.
Isso está muito ligado a minha mãe, lembro que questionar o porquê de me tratarem diferente, eu indagava como era excluído, amenizado. Ela respondia aos berros dizendo que eu tinha que agradecer, que fulano sofria mais que eu, que a minha vida era boa, que o Luis e a vida era oosmisericordiosa comigo. Eu sabia que as coisas não estavam bem, e sentia uma presença ruim. Me sentia excluído e ofendido, mas todas as minhas vozes mentais concordavam com a minha mãe. A minha vida de fato seria boa, era boa, eu que era um ingrato estúpido.
Estou com 20 anos, tentando me desvincular com o meu passado, quando estou em casa penso em suicídio, lá não é para mim. Meus irmãos, o local, tudo me irrita. Quando estou na rua me sinto intimado, fraco, incompreendido. Realmente não há lugar seguro para mim, não para pessoas iguais a mim.
Eu agradeço as oportunidades, tive casa, comida, bebida, de certa forma uma estabilidade, mas será se esses benefícios anulam a minha dor? Quem eu devo ouvir, a minha consciência/pensamento que diz que tudo que eu passei é real (as dores e sofrimentos), ou a minha mãe que sempre disse que a minha vida era boa e era tóxica comigo.
Talvez eu estou reproduzindo com o Diego a mesma coisa que eu passei, aliás somos assim né, só reproduzimos o que sabemos. Percebo que toda a minha indignação é pelo fato de me esforçar tanto e e absolutamente ninguém me da valor. Por mais que eu não seja o melhor, eu dou o meu máximo. E apesar disso só recebo críticas, reclamações e desmotivações familiares.
Eu sei que no final estarei eu comigo mesmo, e que se eu estiver me sentindo bem comigo, estarei bem em qualquer lugar. O ambiente externo não deveria interferir no interno, pois eu sou mais forte. E sim, estou lutando com demônios, estou indo pra vida, pra luta. Cada dia é um monstro diferente que tenho que lutar. É difícil manter o foco quando todos querem a sua morte. Me sinto completamente sem voz e sem espaço. Por que essas pessoas não vão embora? Por que elas não seguem um caminho diferente? Por que só eu tento ser compreensível com todos. Não sei. Me canso rápido, entendo os motivos que me levam a odiar o Diego mas mesmo assim gostaria que ele não estivesse aqui.
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Sobre invadir espaços
Posted on quinta-feira
Sobre invadir espaços
Marcelo Santiago
07:27
Marcelo Santiago
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